Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Bons ventos para estudar as propriedades de clima e tempo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Identificar as diferenças conceituais entre clima e tempo meteorológico e as razões das dificuldades na previsão do tempo.
Conteúdo(s) 
  • Meteorologia.
  • Climatologia.

 

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

A reportagem O Show das Preparadas analisa a evolução da formação das repórteres do tempo, que trazem informações meteorológicas nos telejornais, e discute também a precisão das previsões realizadas hoje no Brasil. Segundo a matéria, é mais difícil acertar sobre as condições de um país como o Brasil, cujo território fica em grande parte entre os trópicos - onde a diversidade de ventos, umidade, temperatura e pressão é muito grande.

A reportagem Tempo Bom? Leve o Guarda-Chuva reforça a ideia de que fazer previsões meteorológicas é um risco. Este plano de trabalho traz diversas propostas interessantes para mostrar aos alunos a complexa dinâmica e a abrangência de escalas que os fenômenos atmosféricos apresentam.

Após a leitura das reportagens, verifique se os alunos sabem qual a diferença entre fenômenos climáticos e meteorológicos (clima e tempo). Por que existe tal divisão? Trabalhar com esses conceitos é muito útil, porque nos permite captar duas dimensões do sistema atmosférico. O tempo meteorológico pode ser entendido como o conjunto de manifestações do clima num dado momento, em determinado local. O clima, por sua vez, é o comportamento médio do tempo numa região, em um período médio de 30 anos. Em geral, é preciso fazer nada menos do que trinta anos de observações para se chegar à definição de um tipo climático. A meteorologia é a ciência da atmosfera em sua totalidade, com a qual se pode avaliar o estado físico e químico dela e suas interações com a superfície terrestre. Já a climatologia é o estudo científico do clima.

2ª etapa 

Conhecidas essas definições, pergunte se a semelhança entre tempos meteorológicos (temperatura, umidade e chuvas) em duas regiões bem diferentes - Montreal, no Canadá, e Brasília, por exemplo - indica que ambas possuem o mesmo clima. Os alunos devem pesquisar os tipos climáticos das regiões das duas cidades. Depois disso, explique por que o tempo meteorológico às vezes coincide em climas diferentes.

3ª etapa 

Peça que a turma verifique a que tipo climático pertence a sua cidade e estude as características básicas dele. Em seguida, os alunos podem comparar o tempo meteorológico de dois ou três dias seguidos com as características médias do tipo climático local.

4ª etapa 

Destaque outras ocorrências naturais da Terra que também apresentam dinâmica muito complexa, e por isso são difíceis de prever. É o caso das correntes marinhas ou dos movimentos tectônicos, esses últimos responsáveis por terremotos, maremotos e pelo vulcanismo. Mencione os casos mais notáveis de erupção vulcânica, como o do Vesúvio, na Itália. Pergunte o que esses fenômenos têm de semelhante com o sistema atmosférico. Fale das trocas de energia e matéria entre ambos. Use como referência a seguinte afirmação, de um climatólogo: "Os quatro domínios globais - a atmosfera, a hidrosfera, a litosfera e a biosfera - não se superpõem uns aos outros, mas continuamente permutam matéria e energia entre si".

 

5ª etapa 

Aprofunde a discussão sobre as definições de clima e tempo meteorológico. Alguns autores, quando tratam dos fenômenos da superfície terrestre, dão primazia à ação do sistema atmosférico. Afirmam que, nos estudos científicos dos sistemas naturais, os fenômenos do tempo meteorológico e do clima ocupam uma posição explicativa decisiva. Outros, no entanto, consideram que, se o sistema atmosférico repercute em tudo, ele também seria abalado pela relação com outros sistemas naturais. E sustentam que as ocorrências meteorológicas e climáticas não podem ser compreendidas se não verificarmos como os outros fatores ambientais interferem no clima.

6ª etapa 

Mostre, então, como os fatores ambientais interferem no clima. Ele pode ser alterado pela ação humana? Em dimensões regionais, isso é possível e acontece. Na escala do planeta, o que o homem faz é apenas aperfeiçoar um controle passivo, ou seja, a previsão e a prevenção dos fenômenos atmosféricos, tal como mostra a reportagem. Incremente a discussão com as duas questões a seguir:

  1. Sem saber, não estaria o homem afetando o clima em escala planetária - aquecimento da Terra pelo efeito estufa, buraco na camada de ozônio? Assim, embora não consiga mudar a atmosfera, ele pode desequilibrá-la, como defendem os ambientalistas.
  2. Em que medida o homem muda o clima? Será que plantar uma parede de árvores numa grande área agrícola, para impedir ventos, é uma alteração que ilustra esse caso? Você conhece ações humanas que tenham mudado o clima? De que modo elas fizeram isso?
7ª etapa 

A dinâmica atmosférica

Mostre como ocorre a circulação do ar. O calor da superfície terrestre leva o ar para as camadas superiores da atmosfera. No Equador, esse movimento do ar quente faz com que as camadas inferiores sejam imediatamente ocupadas por ar mais frio vindo de latitudes adjacentes, ao Norte e ao Sul. Disso resulta um movimento nas camadas inferiores de ar frio dos pólos em direção ao Equador. Nas camadas superiores, o percurso do ar aquecido se dá em sentido inverso: do Equador para os pólos (veja o quadro "Previsões Populares"). Graças a essa circulação formam-se as regiões de alta e baixa pressão do planeta.

Imagem

 

O ar aquecido carrega consigo vapor de água, que se condensa formando as nuvens. Nas partes altas, ele se resfria, perde umidade e se desloca para os pólos. Depois de frio e seco, desce e forma uma zona de alta pressão, onde em geral sopram os ventos formadores de desertos. Uma parte do sertão nordestino é afetada por uma zona desse tipo.

Previsões populares

Um tema curioso e elucidativo é o das previsões atmosféricas de raízes populares. Na tentativa de fazer prognósticos sobre as condições do tempo, cada grupo humano mobiliza os recursos disponíveis em sua cultura. Dê um exemplo: para os Desâna, um grupo indígena da Amazônia, o aparecimento de certas constelações de estrelas no céu anuncia um período de chuvas. Outro caso digno de nota é o dos profetas sertanejos, que atuam no semi-árido nordestino. Pela observação de aspectos sutis da natureza, eles predizem um inverno chuvoso ou seco. Para esses profetas, animais e plantas carregam valiosas informações meteorológicas. A presença das pombas asa-branca é uma esperança de chuva. Quando elas se vão, significa que haverá um longo período de seca. A estrela de Magalhães (planeta Vênus) passando para o poente, a casa de joão-de-barro com entrada voltada para o poente, as carnaubeiras carregadas em outubro ou as formigas mudando de vivenda, à procura de abrigo, são sinais de uma boa estação chuvosa. Tais conhecimentos são valiosos e não podem ser desprezados. Levante com os alunos os modos populares de se fazer previsão de tempo em sua região e cultura. O que é considerado? Lua, céu estrelado, direção de ventos? Procure verificar com eles os fundamentos dessas previsões populares.

 

Avaliação 

Observe se os alunos compreenderam os conceitos de clima e de tempo. Eles deverão ser capazes de comparar o tempo meteorológico de uma região ao longo de alguns dias com as características médias do clima do local. Verifique também se a turma relaciona o impacto das ações humanas nas mudanças climáticas, usando como referência os conceitos da dinâmica atmosférica.

 

Bibliografia
Processos Interativos: Homem-Meio Ambiente, D. Drew, Bertrand Brasil, tel.: (11) 3286-0802

Créditos:
Jaime Oliva
Formação:
Professor de Geografia
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.