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Biodiversidade: Parte 1 - Biodiversidade florestal

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber que a floresta não é apenas um conjunto de árvores e descobrir diferentes perspectivas em sua organização estrutural.
Introduzir noção de biodiversidade para aproximar-se da compreensão da importância florestas tropicais brasileiras.
Identificar a presença da vegetação e flora nativa no lugar de vivencia.
Aproximar-se do ambiente cotidiano dos alunos por meio de um roteiro de trabalho de campo.

Conteúdo(s) 

Noções sobre organização estrutural das florestas
Noções de biodiversidade
Elaboração de desenhos de observação
Características fenológicas das Florestas tropicais

 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
5 a 6 aulas
Material necessário 

Planeta Sustentável:

Papel para desenho, lápis preto e colorido, prancheta para desenho, cola, canetas hidrográficas, cartolina, mapa do Brasil, Atlas de Geografia, máquina fotográfica para a visita de campo (opcional)

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Esta sequência didática é a primeira parte de uma série de 21 propostas para trabalhar o tema da biodiversidade com as turmas de 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O conteúdo é produzido em parceria com o Planeta Sustentável.

Introdução

A floresta está muito mais próxima das pessoas do que imaginamos. Utilizamos madeiras, frutos, resinas, sementes e usufruímos do conforto térmico, das chuvas e das águas que elas ajudam a formar e reservar. Calcula-se que aproximadamente 60% das espécies conhecidas vivam em florestas tropicais. Mas parte dos alunos tem uma ideia simplificada desse ecossistema terrestre. Muitos imaginam o ambiente apenas como um conjunto de árvores. De fato, a árvore é uma das principais formas de vida da floresta e a formação do dossel (união das copas que forma uma espécie de "telhado" das florestas) é um dos principais fatores da grande riqueza de vida que esses lugares abrigam. Nesta sequência didática, vamos introduzir as primeiras noções de biodiversidade olhando para a floresta sob diferentes perspectivas e em sua complexidade estrutural. Além disso, ao identificar como uma floresta se organiza, também são construídas noções sobre alguns problemas dos efeitos de sua destruição.

Se houver em sua região algum fragmento de mata que tenha dossel e que seja seguro levar os alunos, proponha uma primeira caminhada para observar a floresta. Para isso, organize os alunos em duplas ou trios e peça que observem como é o ambiente visto por fora e por dentro, registrando com desenho. Realize, então, dois conjuntos de atividades:

1. Peça aos alunos que olhem a floresta por fora (de uma lateral, a certa distância que permita ver as arvores até as copas) nas seguintes posições: de pé, agachado, com a cabeça inclinada, por entre as pernas e de cabeça para baixo. Converse com eles sobre o que vêm. Depois de experimentar olhar em diferentes ângulos e posições, solicite que escolham uma posição confortável e desenhem numa folha de papel (ocupando a folha inteira) a floresta vista por fora. Esse desenho é livre e deve ser feito com calma e tempo. Deixe que explorem detalhes. Conversando com eles chamar a atenção para o dossel, verifique se enxergam em profundidade as cores, as formas, quais árvores são mais baixas e mais altas etc.

2. Siga por uma trilha segura com os alunos para entrar na floresta e olhá-la por dentro. Organize a turma em pequenos grupos ou em uma rodinha que favoreça a observação mais detalhada do interior da mata. Oriente para que observem novamente em diferentes posições: olhando para cima, em direção ao dossel; olhando para os lados e para o chão perguntando o que veem. Comece perguntando: dentro da floresta é mais claro ou mais escuro? Por que será? Por onde a luz entra para aqueles que vivem no chão? Como é o "telhado" (dossel) da floresta? É Fechado? É aberto? Dentro é mais úmido? Sentem o vento dentro da mata? É possível saber como está o tempo lá fora quando estamos dentro da mata? Não se esqueça de lembrá-los que olhem também para o chão - o que vêem? Como é o chão da floresta? Explore essas ideias deixando que outras venham dos próprios alunos. Anote junto com eles tudo que for observado numa ficha. 

O registro da observação do "telhado" da floresta, o dossel, pode ser feito também com a câmera fotográfica. Fotografias tiradas de diferentes ângulos serão expostas na sala de aula durante a sequência de estudos. 

Na sala de aula, peça que os alunos analisem os desenhos e as fotografias. Auxilie a turma para que explorem as características da organização de uma floresta quando vista por fora e por dentro. Solicite que busquem informações em livros e internet sobre o que é o dossel e por que, dentro da floresta, temos percepções diferentes (veja a bibliografia que sugerimos). Levante todos os questionamentos das primeiras percepções e proponha aos alunos que entendem como a própria floresta cria condições para a riqueza de vida que nela habita.

 

Texto de apoio ao professor  Roteiro para saída em campo

1. Defina com seus alunos o local a ser visitado: um parque? Uma praça? Uma unidade de conservação? É interessante visitar antes o local para verificar sua estrutura de visitação e observações que poderão servir posteriormente para monitorar a visita com seus alunos.
2. Organize junto com os alunos um roteiro, contendo horário da visita, duração, professores responsáveis, objetivo. Solicite aos alunos que repassem a seus pais, com intuito de obter a aprovação e autorização dos mesmos.
3. Um dia antes da visita, debata com a turma quais perguntas terão de responder com o trabalho. Organize a ficha de observação com espaços para fotos, textos e esboços. Faça também uma lista dos materiais coletivos que eles levarão (caderno, máquina fotográfica) e outros pessoais, como vestuário, lanche etc.
4. Antes da visita, discuta com eles o que devem observar, como tipos de árvores, plantas em geral, animais, preferencialmente anotando nomes e tirando dúvidas com o professor. Se a área visitada tem um monitor, será mais fácil identificar os espécimes.
5. Durante a visita, oriente-os para que observem as relações entre animais e plantas e anotem também no caderno.

 

2ª etapa 

Nesta etapa, os alunos vão explorar o conceito de floresta, com as percepções anteriores e com seus desenhos. Coloque na lousa uma única pergunta bem grande: O que é uma floresta?

Deixe que os alunos falem livremente enquanto todas as ideias que forem surgindo são registradas na lousa. Em seguida, estimule mais com as perguntas: será que as florestas são iguais? Quais diferenças podem existir entre esses ambientes? Para refletir sobre o conceito que os alunos têm sobre florestas, retome o desenho livre e individual produzido na primeira etapa (que pode estar exposto no mural da sala). Peça que falem sobre seus desenhos e que contem sobre o que quiseram mostrar. Durante a exposição, questione a turma: a floresta é um conjunto de árvores? Registre as impressões dos alunos na lousa.

Em seguida, apresente aos alunos fotografias de florestas vistas do alto e de longe. Por exemplo, selecione imagens vistas por satélites ou fotografadas de avião. Convide todos para uma nova reflexão: O que percebem nas imagens? Será que algum animal vive no alto das florestas (no dossel que vemos do alto)? Anote os principais comentários na lousa para que os alunos registrem em seus cadernos.

Apresente fotografias do interior de florestas comentando que no interior desses ambientes existem interações entre as diversas formas de vida: quais seriam essas formas de vida e como os alunos acreditam que elas interagem? Registre as principais conclusões na lousa para que os alunos anotem em seus cadernos. Se for possível, divida a lousa em duas colunas. Na primeira coluna, coloque as observações quando se olha de fora e, na segunda, quando vista por dentro. Retome a pergunta principal: a floresta é um conjunto de árvores? Compare as ideias anteriores coletivamente.

3ª etapa 

Neste momento, retome com os alunos o que eles descobriram nas etapas anteriores sobre as florestas tropicais. Organize uma aula expositiva sobre essa floresta, sua organização e suas características. Registre na lousa uma síntese do que identificaram até o momento e acrescente novos dados. Lembre a turma que a floresta não é um simples conjunto de árvores, que existe uma ordem interna no ambiente: plantas que ordenam o dossel, o sub-bosque, as trepadeiras, as epífitas e o chão, que é coberto por folhas mortas, raízes, plantas e muitos insetos. Mostre que a formação do dossel é um fator importante para as formas de vida que se desenvolvem no interior da floresta. Por meio de imagens, destaque os dois grandes conjuntos que ocorrem no Brasil: a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. Não se esqueça de incluir nessa síntese os mapas do Brasil, com as localizações desses grandes conjuntos florestais.

Leve à turma o atlas de Geografia. Localize o mapa da vegetação do Brasil e realize a leitura compartilhada de sua legenda. Após essas intervenções e manuseio do atlas, questione: como enxergam, agora, uma floresta? Peça que comparem os desenhos realizados no início da sequência e que acrescentem novos elementos com o que descobriram. Se a turma desenhou uma árvore na primeira etapa, agora, pode desenhar uma floresta com os elementos que estudaram. Proponha que escrevam um texto com o titulo: A floresta é muito mais que um conjunto de árvores

4ª etapa 

Organize um roteiro de campo com os alunos para conhecer uma área verde em sua cidade ou região. Durante o passeio, peça que observem as espécies vegetais e as formas de vida que interagem com elas e busquem vestígios da cobertura original em sua região. Essa nova visita a campo está voltada para reconhecer plantas e animais e obter as primeiras noções de biodiversidade. Para realizar tanto o roteiro de campo, quanto as atividades posteriores em classe, você vai precisar de uma pesquisa anterior de espécimes comuns na Mata Atlântica e/ou Amazônia. Essas informações podem ser encontradas em livros paradidáticos e em sites na internet (veja em Quer saber mais?). Escolha algumas plantas que ocorrem na região e procure saber se são nativas da floresta tropical local. Na arborização de rua de muitas cidades brasileiras são utilizadas espécies nativas da Floresta Tropical. Se você estiver num domínio que não seja originalmente de floresta, estude a biodiversidade de uma área verde que contenha espécies nativas.

No retorno à sala de aula, os alunos podem eleger uma espécie-símbolo da Mata Atlântica (uma árvore ou um animal, por exemplo), ou de outra cobertura vegetal que encontraram durante a pesquisa de campo e coletar informações sobre essas espécies. Em duplas, sugira que apresentem um cartaz contendo fotos ou desenhos da espécie e uma ficha técnica contendo nome científico, onde ela ocorre, curiosidades e informações sobre a interação com outros elementos da natureza. Um produto final da pesquisa pode ser um álbum com o título "As espécies símbolo da Mata Atlântica" ou do lugar onde se vive para doar para a biblioteca da escola. Para completar, organize uma apresentação sobre a importância e a variedade de espécies na floresta (Mata Atlântica ou Floresta Amazônia).

Avaliação 

Analise se os desenhos dos alunos demonstram perceber que a floresta não é apenas um conjunto de árvores e que o ambiente proporciona uma grande variedade de vida. Para isso, verifique se os desenhos e as produções escritas demonstram uma visão mais complexa sobre a floresta.

 

Quer saber mais?


ASSIS, CÉLIA DE. Mata Atlântica. Coleção: NOSSAS PLANTAS. São Paulo: FTD
CAVALCANTI, Pedro. O Império Da Amazônia. São Paulo: Cia das Letras, 1995, 104
BRETON, Florence. O cipó Branco: uma aventura na floresta amazônica. São Paulo: Cia. Das Letrinhas, 2006:64
EMPRESA DAS ARTES. Guia Ilustrado de Árvores da Mata Atlântica de Minas Gerais. Minas Gerais: EMPRESA DAS ARTES
FURLAN, Sueli e Nucci, João. Conservação de Florestas Tropicais. São Paulo: Ed. Atual, 2005 MARCONDES, SANDRA. Os Guardiões da Mata Atlântica. São Paulo: ANUBIS
MOULIN, Nilson. Por Dentro Da Mata Atlântica, V.1. São Paulo: Studio Nobel, 1994:32
MOULIN, Nilson. Por Dentro Da Mata Atlântica, V.2. São Paulo: Studio Nobel , :34 
NAZARIO, NINA. Nina Na Mata Atlântica. São Paulo: OFICINA DE TEXTOS, 2009
ROCHA, Ana Augusta e Feldmann, Fabio. A Mata Atlântica é aqui. E daí? São Paulo: Terra Virgem, 2006:176
SCHAFFER, Wigold e Prochnow, Miriam. A Mata Atlântica e Você. Santa Catarina: Apremavi

Internet
Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste - AMANE. Saberes e Fazeres da Mata Atlântica do Nordeste: Lições para uma gestão participativa

 

Créditos:
Sueli Furlan
Formação:
Professora da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo
Autor Nova Escola

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