Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Aventuras arqueológicas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Apresentar aos alunos a profissão do arqueólogo

Conteúdo(s) 

 

 

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem de Veja

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Trabalho é o que não falta para os arqueólogos de Roma, a Cidade Eterna. E polêmicas também não. A reportagem de VEJA associada a este plano informa que alguns pesquisadores declararam ter encontrado a gruta na qual, segundo a lenda, os irmãos Rômulo e Remo, mais tarde fundadores de Roma, foram alimentados por uma loba; ela foi localizada debaixo das ruínas do palácio de Otávio Augusto, o primeiro imperador. Imediatamente surgiram opiniões discordantes, afirmando que a "verdadeira" gruta estaria mais para oeste, perto do Fórum Romano e da Domus Aurea, o palácio do imperador Nero.

Enquanto o debate prossegue, use o texto como base para apresentar a seus alunos a profissão dos arqueólogos, cujas pesquisas lançam novas luzes sobre o passado do homem.

Proponha que os jovens façam uma pesquisa sobre a fundação de Roma e o período monárquico (753-509 a.C.), iniciado por Rômulo. Eles vão encontrar informações que complementam as da reportagem. Conte que, de acordo com os historiadores, a fundação da cidade resulta da mistura de três povos que foram habitar a península Itálica: gregos, etruscos e italiotas. Eles desenvolveram uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nessa época, era formada por patrícios (nobres proprietários de terras) e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos proprietários). Na esfera religiosa, começou a ganhar força a influência dos gregos, cujos deuses foram adotados, com nomes diferentes, pelos romanos.

O mesmo se deu nas artes: destacavam-se os afrescos, murais decorativos e esculturas em estilo grego. Na cena política, porém, a hegemonia esteve nas mãos dos etruscos, que passaram a indicar os reis de Roma. Descontentes, os patrícios depuseram o último soberano etrusco, Tarquínio, o Soberbo, dando início à República.

Acrescente que, por muito tempo, essa fase da história romana foi cercada por uma série de mitos. Na década de 1980, o arqueólogo Andrea Carandini, que fazia escavações na região do Fórum Romano, descobriu os restos de uma muralha que parecia corresponder aos limites sagrados da cidade, traçados por Rômulo a partir de 753 a.C. Na opinião do pesquisador, era uma forte evidência de que os mitos de fundação de Roma tinham um substrato histórico. Um ponto para debate: a descoberta da gruta de Rômulo e Remo reforça essa tese?

2ª etapa 

Solicite aos estudantes uma pesquisa a respeito da arqueologia e que tipo de investigação o profissional dessa área desenvolve. Afinal, todo mundo tem alguma noção sobre o que é essa ciência. Quantos filmes de aventura do tipo Indiana Jones, livros de suspense e mistério ou mesmo videogames têm um "aventureiro" como personagem principal? Na vida real, porém, os métodos e as técnicas que ele utiliza há muito deixaram para trás a aura romântica ainda presente nos filmes de Hollywood.

A arqueologia pode ser definida como a ciência que estuda o passado humano a partir dos vestígios e restos materiais deixados pelos povos antigos. Para realizar seu trabalho, o escavador utiliza diversos procedimentos. Ele procura identificar sítios nos quais cava em busca de objetos de cultura material de eras passadas. Em seguida, inicia a fase de estudos sistemáticos em laboratório, procurando relacionar os objetos coletados ao grupo que os produziu e ao seu modo de vida. Logo, a pesquisa exige esforço e dedicação em campo, mas não descarta um esforço intelectual em laboratório. Conte que hoje os arqueólogos realizam escavações no mundo inteiro: não é difícil encontrá-los atuando em sambaquis no litoral paulista, no semi-árido nordestino ou na Floresta Amazônica.

Um bom exemplo desse trabalho é desenvolvido por Niède Guidon. Ela chefia uma pesquisa no Parque Nacional da Serra da Capivara, único parque americano incluído na lista da Unesco como patrimônio histórico mundial. Niède é também o centro de uma polêmica de interesse internacional. Em seus 25 anos de pesquisas na região de São Raimundo Nonato, no Piauí, ela encontrou o que acredita serem vestígios de 48.700 anos, a evidência mais antiga da presença humana no continente americano. Essa descoberta contraria as opiniões que atribuem uma data bem mais recente para a chegada do homem à América.

3ª etapa 

Que tal trabalhar a ciência que estuda os costumes com recortes de jornais? Solicite que os alunos que tragam para a sala de aula a seção de classificados de imóveis. A seguir, proponha a seguinte reflexão: solicite aos meninos e meninas que imaginem que nossa sociedade foi extinta e, 1.500 anos depois, os pesquisadores encontrassem os jornais que estão em suas mãos. Que perguntas eles fariam para descobrir o modelo de civilização que se desenvolveu por aqui? Quais respostas obteriam?

Peça que a turma utilize principalmente as plantas de casas ou apartamentos anunciados. Outras informações, como a metragem dos imóveis, a localização dos mesmos e a forma como os publicitários anunciam seus produtos também são fontes importantes. Recorde que, em vários casos, os arqueólogos não podem sequer contar com esses materiais, pois o grupo investigado não dominava a escrita. Aí o trabalho restringe-se a analisar elementos de cultura material: vasos, adereços ou objetos de uso cotidiano etc.

Créditos:
Ricardo Barros
Formação:
Professor de História do Colégio Paulista, de São Paulo
Autor Nova Escola

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