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A Arte de Tomie Ohtake

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Conhecer a vida e a obra de Tomie Ohtake.
  • Aprofundar os conhecimentos sobre a sintaxe visual.
  • Perceber transformações importantes na história da arte brasileira.

Conteúdo(s) 
  • Análise crítica de obras.
  • Abstracionismo.
  • Exercício de desenho.
  • Pintura.
  • Linha.
  • Cor.
Ano(s) 
Tempo estimado 
6 aulas
Material necessário 
  • Computador com acesso à internet.
  • Projetor para exibição de imagens sobre as obras de Tomie Ohtake e do especial sobre a artista publicado no site de Veja.
  • Materiais para desenho: papel sulfite branco tamanho A5 e caneta preta fine pen ou similar.
  • Materiais para pintura: papel de tamanho A4 com gramatura mínima de 120g/m2, bandeja de isopor ou pote para misturar tintas, que pode ser têmpera, aquarela ou anilina nas cores magenta, azul ciano e amarelo ouro, pincéis de tamanho médio, chato ou redondo.
  • Cópia da reportagem Morre Tomie Ohtake, 101, grande dama das artes brasileiras (VEJA Edição Digital, 12 de fevereiro de 2015).
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

A reportagem Morre Tomie Ohtake, 101, grande dama das artes brasileiras (VEJA Edição Digital, 12 de fevereiro de 2015), mostra sua trajetória pessoal e artística. Estabeleça uma conversa inicial afirmando que durante um bom tempo, para que fosse considerada obra de arte, a pintura deveria representar cenas do mundo real com grande preocupação naturalista, como se a moldura que envolve o quadro pudesse ser considerada um tipo de janela para o mundo real visível. Após destacar alguns gêneros mais tradicionais como a paisagem, a natureza-morta, o retrato, autorretrato, as cenas históricas, mitológicas ou cotidianas, explique que ao longo da história da arte, as transformações ocorridas na pintura refletem as mudanças na sociedade, na política, na economia, no modo de pensar e nos avanços tecnológicos, entre outros aspectos. O surgimento da fotografia, por exemplo, causou um enorme impacto na pintura acadêmica. Não havia mais sentido tentar representar o mundo natural com tanto rigor e fidelidade, já que a fotografia poderia cumprir essa função com muito mais "eficiência". Comente que esse rigor acadêmico foi sendo negligenciado e substituído por deformações, simplificações, geometrizações e estilizações, tanto nas cores como nas formas pictóricas e escultóricas. Se anteriormente a pintura não podia apresentar marcas de pinceladas, aos poucos, o gesto do artista ganha importância. Questione: a "janela" que por muito tempo ficou voltada para o mundo real visível agora se volta para onde? Com base nas respostas dos estudantes, comente que ela se voltou para a mente do artista, para a imaginação sob o prisma de questões afetivas, intuitivas e intelectuais. Explique que o próximo passo na evolução pictórica foi o fim da representação obrigatória e que a arte já não precisava mais representar algo externo a ela, podendo reivindicar seu próprio "alfabeto", sua própria "gramática", sua própria sintaxe; a sintaxe visual. Nesse momento, apresente como desafio o estudo dessa sintaxe a partir da obra da artista plástica Tomie Ohtake (1904-2015), onde predomina uma forte ligação com o abstracionismo. Essa etapa pode ser ilustrada por meio da projeção de obras que mostrem essa trajetória da arte, encerrando com obras de Tomie.

Grupo Seibi, de Tomie Ohtake (1954)

Grupo Seibi, de Tomie Ohtake (1954)

2ª etapa 

Utilize a projeção da reportagem Morre Tomie Ohtake, para apresentar algumas obras e a trajetória de vida da artista por meio das imagens. Compartilhe com os estudantes informações sobre a vinda dela para o Brasil, a guerra, a rigorosa tradição familiar oriental, o autodidatismo e o início tardio de sua produção artística e comente que os dados podem influenciar sua produção de alguma forma.

3ª etapa 

Comente que a turma vai estudar a linha como elemento de linguagem visual. Projete e comente imagens de obras que apresentam diversas abordagens em relação ao trabalho com as linhas, começando com as pinturas, gravuras e esculturas de Tomie Ohtake. Em seguida, indique também obras do espanhol Joán Miró (1893-1983), do russo naturalizado francês e alemão Wassily Kandinsky (1866-1944), do argentino Lucio Fontana (1899-1968), do alemão Hans Hartung (1904-1989), do norte-americano Jackson Pollock (1912-1956), o húngaro Victor Vasarely (1906-1997) e do brasileiro Helio Oiticica (1937-1980). 

Composição 4, de Kandinsky (1911)

Composição 4, de Kandisnky (1911)

Metaesquema, de Hélio Oiticica (1958)

Metaesquema, de Hélio Oiticica (1958)

A Bailarina, de Joan Miró (1925)

 

A Bailarina, de Joán Miró (1925)

 

Após discutir as diversas posturas em relação ao uso das linhas na construção das imagens em cada trabalho, distribua folhas de papel branco tamanho A5, as canetas pretas tipo fine pen e peça para que os alunos tentem expressar os seguintes conceitos básicos por meio das linhas:

  • Velocidade
  • Excesso
  • Leveza
  • Profundidade

 

É importante ressaltar que esses desenhos não podem ser figurativos nem escritos e que eles devem tentar mais de uma vez até estarem satisfeitos com o resultado, portanto providencie uma boa sobra de folhas de papel. O tempo adequado para os desenhos é de vinte a trinta minutos. Para encerrar essa etapa, faça uma avaliação coletiva dos trabalhos da seguinte forma: selecione os desenhos de algum aluno e cole com fita na parede, bem separados entre si, de modo que seja possível que o restante da turma, um de cada vez, cole suas produções cada qual próximas à anterior que eles julguem ter os mesmos conceitos (velocidade, excesso, leveza e profundidade). Peça para que alguns alunos contem como foi a experiência e conclua com uma reflexão sobre a importância da linha na linguagem visual e, portanto, na leitura de imagens, como nos trabalhos de Tomie Ohtake, predominantemente abstratos.

4ª etapa 

Comente que nos expressamos por meio das cores a todo momento em nossas roupas, objetos, habitações e quando ficamos com receio de passar uma imagem indesejada. usamos cores neutras, como o famoso recurso do "pretinho básico". Já nas pinturas das paredes internas das casas, hospitais, escolas e shopping centers parece haver uma espécie de cromofobia coletiva. Explique que é bem mais fácil utilizar cores neutras do que experimentar um matiz mais vivo e correr o risco de causar algum efeito indesejado no comportamento de seus habitantes, como despertar determinadas emoções, estimular o apetite ou causar depressão. Termine essa explicação mostrando imagens projetadas de obras de Tomie (utilize aquelas que evidenciam a cor como um elemento bem significativo em sua produção). É muito importante que a sala seja bem escurecida para perceber corretamente as cores nessas imagens projetadas. Em seguida, para estudar a cor como informação visual e continuar a tratar da obra da artista, distribua entre os alunos os seguintes temas para pesquisa individual em casa:

 

1. Teorias da cor: tratar das descobertas do físico inglês Isaac Newton (1643-1727) e do poeta alemão Wolfgang von Goethe (1749-1832) no campo da cor.

2. A cor na cultura: relacionar a cor com informações culturais como, por exemplo interpretar as cores das bandeiras de diversos países ou analisar a exploração do uso das cores como informação visual em costumes de alguma tribo, região, povo ou crença espiritual.

3. A psicologia da cor: cores diferentes causam reações diferentes em nosso cérebro. Esse recurso é muito comum na publicidade, que pretende atrair ou influenciar de diversas formas o consumidor. Esse tema também pode abranger a questão da cor na arquitetura, que deve propiciar ambientes que favoreçam nosso bem estar.

4. Sistemas de cor: são modos de organizar as cores para aplicações distintas. Peça para que diferenciem e comentem os sistemas mais comuns: CMYK, RGB, Pantone e Munsell.

5. A cor na natureza: pesquisar animais e plantas que têm na cor um elemento muito importante para sua sobrevivência, seja para proteção, reprodução ou alimentação.

6. O Instituto Tomie Ohtake: trazer informações sobre sua fundação, a arquitetura do prédio e a importância cultural para a Cidade de São Paulo.

7. As esculturas de Tomie Ohtake e a arte como patrimônio público urbano.

 

Tenha o cuidado de explicar o que está sendo pedido em cada um dos temas (alguns são mais abrangentes e outros menos). Após a pesquisa individual em casa, forme grupos de acordo com os temas, com o objetivo de levar os alunos a trocar informações e preparar uma apresentação em forma de seminário para o restante da classe. O ideal é que os alunos tenham o tempo de uma aula para preparar as apresentações e outra para apresentar. Essas apresentações propiciam momentos muito ricos de experiência e aprendizagem. Se possível, ofereça dois computadores por grupo para essa preparação.

 

5ª etapa 

Sugestão de abertura para essa atividade prática: Museu Vivo: Tomie Ohtake, Pinturas Cegas, um belo vídeo de 20 minutos apresentado pelo curador Paulo Herkenhoff sobre a exposição de pinturas cegas feitas pela artista entre os anos de 1959 e 1962:

Após conversar sobre o vídeo, ofereça aos alunos papel tamanho A4 de gramatura 120g/m2, pincéis, potes para misturar as cores e as tintas nas três cores primárias. A proposta é abrir mão das formas figurativas e fazer duas ou três pinturas abstratas tentando obter um efeito cromático por meio de relações entre as cores escolhidas: primárias, secundárias, terciárias, complementares, quentes e frias, tons da mesma cor (monocromia ou degradê), alteração de matizes e cores análogas (ou complementares).

Avaliação 

A avaliação pode ser feita ao longo da sequência. Ao final dos desenhos iniciais, faça uma análise crítica coletiva dos trabalhos. Na pesquisa individual, informe que ea será um instrumento de avaliação e exija alguns itens básicos: ela deve ser  entregue em formato PowerPoint ou similar, ter imagens de boa qualidade e um mínimo de fontes consultadas A atuação individual e coletiva nas apresentações pode ser avaliada pela observação e mediação do professor. Ao final, a apreciação coletiva das pinturas abstratas de efeitos cromáticos pode encerar essa proposta. Não que seja obrigatório, mas o título pode completar de alguma forma as pinturas. Para a montagem de uma exposição, pode-se obter um bom resultado recortando e colando as pinturas sobre papel preto ou branco.

 

Bibliografia:                                   

OSTROWER, Fayga. Universos da Arte. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

FRASER, Tom. O Guia Completo da Cor/Tom Fraser e Adam Banks. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

Créditos:
Rodrigo Guimarães
Cargo:
Professor de Artes Visuais e Ação Social do Colégio Santa Cruz
Autor Nova Escola

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