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Aquecimento global e busca por alternativas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Reconhecer fatores ligados ao aquecimento global e analisar o papel dos atores sociais na busca de alternativas

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Poucos assuntos têm sido alvo de debates nos últimos anos com a intensidade e com discussões tão acaloradas (sem trocadilho) quanto o chamado aquecimento global. Os prováveis efeitos do aumento da temperatura na Terra ainda dividem especialistas e opinião pública, como mostra a reportagem  O Aquecimento Global Não é o Vilão da Crise Hídrica em São Paulo, na qual Augusto José Pereira Filho, meteorologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) afirma que a seca pela qual São Paulo passa hoje é fruto não do aquecimento global, mas do movimento atmosférico natural do planeta. No entanto, parece crescer a cada dia uma certeza que une os especialistas: como não se sabe o que poderá ocorrer nas próximas décadas, é preciso somar esforços para desde já buscar alternativas e combater os principais indutores do aquecimento queima de combustíveis fósseis à frente. A reportagem O Planeta Tem Pressa apresenta 50 perguntas e respostas sobre o tema, avalizadas por cientistas que integram o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês). Elas colocam em evidência um conjunto de previsões, baseadas em modernos recursos e sistemas de medição, assim como as prováveis conseqüências e soluções. Convide a garotada para uma rodada de pesquisas e troca de idéias acerca do assunto, com ênfase no papel e na responsabilidade de indivíduos, coletividades e governos na busca de alternativas.

Incentive os estudantes a organizar as principais informações do texto em três blocos: previsões; razões e conseqüências; e soluções. Lance algumas questões e mais dados para enriquecer a atividade, especialmente em torno das soluções: quais mudanças nos padrões climáticos já foram constatadas? Quais atividades e setores estão entre os que mais contribuem para a emissão de gás carbônico (CO2)? Quais países estão na "alça de mira" nesse quesito? Informe que os cinco maiores emissores de CO2 para a atmosfera são, pela ordem, China, Estados Unidos, Rússia, Índia e Japão. Assim, as resistências locais aos acordos e tratados internacionais têm nome e endereço, o que dá um forte conteúdo geopolítico e econômico à discussão. Lembre que os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Kioto, referente ao controle de emissões poluentes, e vêm buscando alternativas problemáticas, como o etanol à base de milho. A China, por sua vez, já está pagando a conta por ter se tornado a oficina do mundo, como mostra o quadro dramático de poluição atmosférica na província de Chongqing. Países exportadores de petróleo e outros grandes emissores (como Alemanha, Canadá e Reino Unido) também engrossam a lista. Quanto à emissão de gases-estufa por setor de atividade, mostre que entre as que mais agravam o aquecimento planetário estão a geração de energia, a manufatura e as queimadas. Portanto, a começar por esses países e setores, o desafio está em mudar padrões de produção e consumo e buscar alternativas energéticas mais eficientes ou distintas das atuais.


Em relação aos padrões climáticos, ressalte que, além do aumento na temperatura média global constatado ao longo do século XX e de certa redução da camada de gelo nos glaciares e nos pólos, chama a atenção a diminuição da cobertura de gelo nos picos de montanhas. Também são atribuídas ao aquecimento algumas mudanças nas precipitações, como episódios de seca mais prolongada tanto em florestas tropicais como em áreas de clima mais seco, caso do Mediterrâneo e do oeste da América do Norte. Acrescente que, embora os especialistas concordem que a atividade humana pode estar aquecendo o planeta, ainda há divergências quanto a alguns efeitos, como o nível de elevação dos oceanos (com previsões que variam de 60 centímetros a 1,2 metros até 2100, dependendo da estimativa para as médias térmicas). Para alguns, não haverá savanização da Amazônia, mas uma fase de retropicalização, com o reforço da presença da floresta. Para aprofundar esse ponto, distribua cópias do quadro "Florestas em Crescimento" (abaixo) e peça que os jovens discutam as opiniões nele apresentadas.

Para seus alunos

Florestas em crescimento 

Atento aos estudos sobre os impactos das mudanças climáticas globais, o geógrafo Aziz Ab'Saber concorda que o homem está aquecendo o planeta. Mas, quando o assunto é o impacto da nova realidade climática nos biomas brasileiros, a tese do pesquisador contraria as previsões recentes dos cientistas. Para ele, a tendência no caso da Mata Atlântica e da Amazônia "é que elas cresçam e não que sejam reduzidas". Quanto à Amazônia, principalmente na região oriental, o professor da USP é categórico: "O aquecimento global não vai destruir a floresta. No máximo, vai haver uma nova delimitação nos bordos da Amazônia". Ab'Saber tem convicção de que novos minibiomas, como o cerrado, vão entrar na região, mas o país vai continuar com grandes florestas a oeste, porque o regime de chuvas não será muito alterado. O geógrafo garante que o aquecimento global é bom para a floresta.

 

2ª etapa 

Divida a turma em grupos e encomende um seminário sobre caminhos e alternativas para conter o aquecimento ou seus elementos indutores. Proponha que cada grupo pesquise e examine um conjunto de soluções viáveis e, numa aula posterior, exponha-as para o debate da classe. Lembre, também, que no campo das fontes energéticas estima-se que o petróleo ainda será o responsável por cerca de 40% de toda a energia consumida no planeta até pelo menos 2030. Mas vêm crescendo a obtenção e o uso do gás natural, menos poluente que o petróleo, e do carvão mineral, assim como do gás obtido da queima de biomassa (como o bagaço de cana) e da energia solar e eólica. A hidroeletricidade é outra que compõe essa cesta de fontes energéticas. No caso das queimadas e do desmatamento, cresce, como alternativa, a valorização dos chamados serviços ambientais, que representam tudo o que a natureza pode oferecer à vida humana, desde a regulação climática até a manutenção de bancos genéticos, como mostram as experiências e alternativas econômicas com a "floresta em pé". Nesse debate, não podem ser deixados de lado os padrões de consumo e o uso do automóvel, o que implica igualmente reflexões e responsabilidades no plano individual.

3ª etapa 

Organize com os alunos a apresentação e o debate dos resultados obtidos pelos grupos. A sistematização e o registro das principais conclusões podem ser feitos em painéis ou numa pequena publicação.

Quer saber mais?

INTERNET
Coletânea de textos sobre energia e meio ambiente no site Com Ciência.

FILMOGRAFIA
Uma Verdade Inconveniente, documentário de Davis Guggenheim, 2006, Paramount Pictures do Brasil, tel. (21) 2210-2400

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Geógrafo e autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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