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Apogeu e queda das monarquias europeias

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Entender o apogeu e a queda das monarquias europeias, discutir as razões pelas quais alguns países mantém seus reis e rainhas na atualidade

Conteúdo(s) 

Evolução histórica das monarquias ocidentais; importância dos reis e rainhas na atualidade

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Grace Kelly e Lady Di foram mulheres lindas, sedutoras e carismáticas, que morreram tragicamente e se transformaram em mitos de nosso tempo. Em certa medida, a vida glamourosa dessas duas mulheres resume o papel reservado às princesas na atualidade: ícones que aliam beleza, sensualidade e poder.

Aproveite a reportagem de VEJA sobre Grace Kelly para examinar com a turma o apogeu e a queda das monarquias europeias e os fatores que mantém no trono alguns reis e rainhas.

Peça que a turma leia a reportagem "Demos graças a Grace", publicada em VEJA, e atentem para as informações sobre o casamento da atriz com o príncipe Rainier III de Mônaco. Pergunte à classe o que eles sabem sobre o principado de menos de 2 km². Ouça as respostas, divida a turma em grupos e proponha uma pesquisa sobre o surgimento e o apogeu das monarquias europeias. Para orientar o trabalho, utilize como base os temas abaixo:

- O papel dos reis no surgimento das monarquias nacionais
- A criação do reino de Portugal
- O surgimento do principado de Mônaco
- A Revolução de Avis
- O absolutismo real de Luís XIV, na França

Texto de apoio - Monarquias Europeias, surgimento e apogeu

Quando se fala na importância história das monarquias europeias, vale destacar as lutas que os primeiros governantes de Mônaco travaram, no século 14, contra os genoveses. Era este o papel principal reservado aos monarcas na Idade Média: o de chefe guerreiro. Por vezes, a habilidade militar resultava na criação de um novo reino. Foi o que ocorreu na península Ibérica, onde o conde Afonso Henriques, depois de uma série de vitórias sobre os mouros, proclamou-se, em 1139, governante de um novo reino: Portugal. A independência portuguesa foi reconhecida pelos castelhanos em 1143. Já a autonomia de Mônaco foi definitivamente confirmada apenas em 1861, com a assinatura do Tratado Franco-Monegasco.

Se o rei era um chefe guerreiro, precisava controlar os guerreiros da alta nobreza. Nesse processo, muitos soberanos aliaram-se aos burgueses, que financiaram a montagem de exércitos permanentes, capazes de derrotar as milícias feudais. Surgiram desse modo, no final da Idade Média, as monarquias nacionais.

Entre as disputas reais que marcaram a História está a Revolução de Avis (1383-1385), que proclamou rei de Portugal, Dom João, mestre de Avis, filho ilegítimo do rei Dom Pedro I. O episódio significou uma ruptura dinástica que afastou a herdeira do trono, Beatriz, esposa do rei de Castela. Apoiada por parte da nobreza, pelos mercadores e pelas camadas populares - a "arraia miúda" -, a monarquia nacional de Avis impulsionou o projeto de expansão marítima portuguesa, que levou os navios lusos até a Ásia e a América.

Outro momento diferenciado foi o do absolutismo real, que teve como maior representante Luís XIV da França. Ele subiu ao trono em 1643, com apenas cinco anos, e governou efetivamente de 1661 até a sua morte em 1715. O rei não era mais um chefe guerreiro, embora muitas vezes comandasse pessoalmente os exércitos: era a encarnação de todos os poderes do Estado e devia contas unicamente a Deus. Luís XIV resumiu essa situação numa frase famosa: "O Estado sou eu".

Nos principados medievais e nas fases das monarquias nacionais e do absolutismo, a capacidade de seduzir os corações e mentes dos súditos residia quase exclusivamente nos reis. Rainhas, príncipes e princesas eram meros coadjuvantes, e, em muitos casos a sucessão dinástica ocorria apenas entre os herdeiros do sexo masculino. A Inglaterra foi a grande exceção, com o longo reinado de Elizabeth I, que governou de 1588 a 1603.

 

2ª etapa 

2ª aula
Peça que os alunos apresentem os resultados das pesquisas. Em seguida, pergunte a eles se as monarquias ainda mantém sua força nos dias de hoje. Diante da reposta negativa da classe, questione-os sobre quando os reis começaram a perder força na História mundial. Ouça as respostas e explique aos alunos as mudanças pelas quais a estrutura monárquica passou com a Revolução Francesa e as revoluções liberais do século 19 e o status que a monarquia abarca na sociedade atual. (utilize como base o texto abaixo).

Texto de apoio - Monarquias Europeias, decadência

A Revolução Francesa e as revoluções liberais do século 19 abalaram duramente a instituição monárquica no Ocidente. As repúblicas se multiplicaram e a soberania deixou de residir na pessoa do rei, sendo atribuída à nação. Em vez de súditos, os países passaram a ser integrados por cidadãos. Mesmo nos países monárquicos, a ampliação da esfera democrática levou o soberano, chefe de Estado, a não chefiar mais o governo. Essa missão foi atribuída ao primeiro-ministro, na maioria dos casos um parlamentar eleito pelo voto dos cidadãos.

Iniciada no século 19, a formação das monarquias constitucionais implicava uma nova série de atributos para os futuros soberanos. Longe do dia a dia do governo, a legitimidade dinástica estava baseada no capital simbólico de reis, rainhas, príncipes e princesas, vistos como exemplos pela população. Os monarcas deveriam ser atraentes, bons esportistas - ou ter cursado com algum brilho uma academia militar - em suma, deviam ter um charme comparável ao de um astro de Hollywood. O objetivo era fortalecer sua influência junto aos cidadãos/súditos, de modo a assegurar a continuidade da monarquia.

Um momento importante dessa ofensiva era o do casamento, com a escolha de uma noiva que parecesse saída de um conto de fadas. Não por acaso, Grace Kelly e Lady Di trouxeram generosas pitadas de glamour para as figuras apagadas do príncipe Rainier III e do príncipe Charles. O príncipe William, filho de Charles e Diana, encarna esse ideal de "príncipe encantado" - mas, em princípio, só deverá subir ao trono depois do reinado do pai, que sequer começou.

Pergunte à turma por que países como Mônaco e a Inglaterra mantém até hoje sua monarquia, mesmo sem que ela esteja ligada diretamente ao dia a dia do governo. Mostre a eles a importância simbólica dos reis e rainhas e indague: as monarquias deveriam ignorar as normas da sucessão dinástica para colocar no trono príncipes mais jovens e carismáticos?

Para finalizar, coloque em debate uma frase famosa: "No futuro, só existirão os quatro reis do baralho e o rei da Inglaterra". Que fatores contribuem para que a monarquia britânica pareça ter bases mais sólidas que as demais?

 

Avaliação 

Durante a apresentação das pesquisas, observe se a turma entendeu a importância histórica das monarquias europeias e as razões de seu apogeu. Na segunda aula, certifique-se de que ficou claro o papel político dos reis na atualidade.

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos
Autor Nova Escola

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