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Analise a relação do homem com os demais seres vivos

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Analisar aspectos envolvidos na pesca esportiva e compreender a característica humana de transformar e intervir no meio ambiente

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Que tipo de emoção desperta a leitura da reportagem de VEJA? Sentimentos tão antagônicos como, de um lado, o gosto pela aventura, e de outro, a repulsa e a indignação frente à implacável ação humana ou ainda a piedade pela triste sorte do animal? Será possível retirar do homem o impulso de matar? Nessa diversidade de reações possíveis está a oportunidade de uma interessante reflexão sobre o papel do homem na natureza. Este plano de aula que visa à análise da relação do homem com os demais seres vivos.

Questão de ética
O impacto do homem sobre a natureza antes do uso do fogo é nulo. Os hominídeos não se distinguiam do ambiente, eram parte do ecossistema natural. Usavam apenas a força muscular para obter alimento, sobre cuja escassez ou abundância não tinham o menor controle. Quando começa a usar o fogo, o ser humano passa a se diferenciar dos outros animais. Tem início o impacto sobre o ambiente. E quando se torna agricultor já não depende tanto da caça para sobreviver. Nos tempos atuais, a caça ganhou, para a maioria, status de rito, de demonstração de poder e superioridade sobre a natureza, ou do seu conceito de natureza. Essa prática parece ser característica da espécie humana, pois não a encontramos em nenhum outro ser vivo. Os animais caçam para se alimentar, perseguem um invasor de território, brigam por parceiros sexuais ou pelo poder sobre o bando, ou matam por defesa. É ética, então, a briga com um animal apenas para subjugá-lo?

Luta regulamentada
Para caçadores e pescadores por esporte, a luta é inevitável, está no sangue, dizem alguns. A ética, no entanto, é por muitos deles observada: consiste em dar, digamos, um equilíbrio de condições a ambos os lados, caça e caçador. As agremiações de praticantes desses esportes estabelecem regras rígidas, a fim de manter tal igualdade. Na prática da pesca, por exemplo, além de limitações ao uso de determinados equipamentos, o pescador está sujeito a não receber crédito algum se a captura ocorrer em condições desfavoráveis ao peixe. Essas regras tornam o esporte extremamente caro, como enfatiza a reportagem, acessível a poucos, o que repete uma certa tradição - a caça, desde muito tempo, está associada à nobreza, imagem comum que temos da caça à raposa entre aristocratas ingleses.

A utilização de animais como fonte de divertimento, no entanto, não está relacionada apenas à caça. Há registros de brigas de galo já no século XII. Touradas, a corrida de San Fernando e a Farra do Boi seguem a mesma linha. Pesquisadores colocam esse tipo de comportamento como tributário da visão bíblica de mundo, em que o homem tem precedência sobre os outros animais.

Caçadores ecológicos
Os adeptos da caça argumentam que o esporte regulamentado é uma forma eficiente de conservar as espécies. Os próprios caçadores têm interesse em manter as espécies vivas. Evitam-se assim as matanças desenfreadas, capazes de extinguir espécies inteiras, como aconteceu com o bisão europeu e quase se repete com o bisão americano, não fosse a ação do governo dos Estados Unidos confinando os animais em parques onde a caça é proibida.

A reportagem aborda essa questão. A pesca do marlin azul pode estar diminuindo porque a pesca industrial retira seu alimento principal. Ameaçados de perderem seus adversários, os pescadores amadores unem-se aos cientistas com o intuito de preservar a espécie. Essa forma de atuar está relacionada ao que atualmente se denomina manejo ambiental - a conservação do ambiente mediante o estudo da biologia de cada espécie e de suas relações com o meio, inclusive o homem, a fim de beneficiar a vida selvagem de determinada área. Há, assim, uma relação íntima entre o manejo ambiental (manejo sustentável) e o conceito de conservação, que pressupõe o uso racional dos recursos ambientais (a preservação é um conceito mais radical: significa manter o ambiente natural intocado pelo homem).

Essa postura dos pescadores esportivos opõe-se frontalmente à exploração comercial e industrial excessiva. Em alguns países, como EUA e Canadá, sociedades de caça e pesca aliam-se ao discurso ecológico contra a descontrolada extração dos recursos renováveis do ambiente. As atividades de conservação passam a ser financiadas pela venda dos direitos e licenças de caça e pesca.

Há, por exemplo, projetos de manejo destinados à limpeza e repovoamento dos rios, patrocinados por pescadores esportivos. No Brasil, vem crescendo a pescaria em lagoas repovoadas artificialmente (do tipo pesque e pague), o que reduz a extração de espécies selvagens do ambiente.

No cômputo geral, o que se pode concluir é que o distanciamento entre o homem e a natureza o conduz a um anseio à vida selvagem como fuga ao estresse da cidade. Nesse contexto, a caça e a pesca esportivas podem ter assumido também uma função de expiação. Elas não produzem matança em massa, sublimam o atávico instinto selvagem da nossa espécie e eliminam a culpa pela extinção da presa sob o argumento da sustentabilidade.

 

A leitura da reportagem pode suscitar alguns debates com os alunos.

"Uma briga desigual foi travada em alto-mar...". Analise essa briga com a classe: desigual para quem? Quais os recursos do peixe? E os do homem?

2ª etapa 

Peça aos alunos que levantem as prováveis causas da redução populacional do marlin-azul. Como os cientistas podem ajudar na sua recuperação? Essa questão permite abordar um grande número de conceitos ecológicos, sobretudo no que se refere à dinâmica das populações.

3ª etapa 

O tema pode ser aproveitado para que a turma pesquise as diferenças entre a pesca artesanal, a industrial e a esportiva, tanto do ponto de vista econômico como social. Quais as técnicas e tecnologias utilizadas e os impactos que causam no ambiente?

4ª etapa 

Sugira aos alunos o estabelecimento de um código de ética para as atividades que envolvam a vida selvagem sem prejudicá-la.

5ª etapa 

Promova um levantamento das espécies mais ameaçadas de extinção que inclua o declínio populacional, o habitat e as causas da redução.

Extinção é para sempre
Uma vítima indefesa

O dodô (Raphus cucullatus) era uma ave pesada (cerca de 25 kg), incapaz de voar, que habitava as ilhas Maurício, no Oceano Índico. Os únicos vertebrados que viviam nas densas florestas da região eram também aves, num total de 45 espécies. Em 1505, com a chegada dos primeiros navegantes portugueses, as ilhas transformaram-se rapidamente em porto de parada dos navios mercantes. E o dodô passou a ser o principal alimento fresco dos marinheiros. Muitos deles foram mortos para essa finalidade. Mais tarde, já convertidas em colônia penal holandesa, as ilhas começaram a receber os primeiros mamíferos, porcos e macacos, que juntamente com os ratos, trazidos pelos navios, atacavam os ninhos para comer os ovos do dodô. A introdução desses animais e a exploração humana foi reduzindo a população de dodôs de tal forma que, em 100 anos, já eram raros os exemplares vivos.

O último dodô foi morto em 1681. Não sobraram espécimes completos e os únicos registros são apenas desenhos. Foram extintas também outras 23 espécies de aves nativas da região.

A história do dodô permite compreender os efeitos da extinção de uma espécie sobre o ecossistema. Observou-se que uma espécie de árvore está em vias de extinção, os últimos 13 exemplares estão com 300 anos de idade, já no limite de sua existência. Seria apenas coincidência que nesses 300 anos após a extinção dos dodôs não tenham germinado novas árvores? Os cientistas estão seguros de que não, e associam um fato e outro pelo tipo de alimentação da ave: os dodôs comiam os frutos dessa árvore e era seu sistema digestivo que ativava as sementes para a germinação.

Acredita-se que a digestão dos perus tenha o mesmo efeito sobre as sementes, o que é talvez a última esperança de conservação dessa espécie de árvore.
Gigante do mar
Um dos maiores predadores marinhos, o marlin azul (Makaira nigricans) é um peixe que se distribui por toda a costa brasileira no período de novembro a março, como o exemplar capturado em Cabo Frio (ao lado). Juntamente com o sailfish - agulhão-vela - e o espadarte, é um dos mais velozes peixes oceânicos.

Como é o Marlin
Peso: até 900 kg
Velocidade: até 50 km/h
Comprimento: até 4,5 m
Hábitos: solitário, exceto na reprodução, quando forma pequenos grupos
Alimentação: peixes rápidos como dourado, atum, peixes voadores e moluscos, como lulas e sépias

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Muda o Mundo Raimundo
, V. R. Rodrigues em Sobre a Ética, M. S. Rodrigues, WWF
Os (Des)Caminhos do Meio Ambiente, C. W. P. Gonçalves, Ed. Contexto
Destruição e Equilíbrio, S. A. Rodrigues, Ed. Atual

Créditos:
Marcos Engelstein
Formação:
Professor de Biologia do Colégio Renascença
Créditos:
Miguel Thompson Rios
Formação:
Do Colégio Giordano Bruno, de São Paulo
Autor Nova Escola

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