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Jussara Hoffmann
publicou no grupo Por que, o que, quando e como avaliar

Atividade 3 - Quando avaliar? Fazendo o jogo do contrário em avaliação

Prezados educadores, chegamos agora à terceira questão. Espero que as leituras e reflexões feitas até esse momento tenham oferecido um embasamento significativo para prosseguirmos em direção a algumas orientações metodológicas. Sugiro aos participantes não prosseguirem sem passar pelas atividades 1 e 2, pois os primeiros textos abordam concepções que embasam as metodologias em avaliação mediadora.

Vamos lá! Costumo ouvir de professores que eles avaliam todos os dias e todos os momentos. A avaliação esta presente na ação educativa e no cotidiano da sala de aula: ao professor perguntar, olhar os cadernos, dar orientações, corrigir uma tarefa... Contudo, ao avaliar “para promover o desenvolvimento moral e intelectual dos alunos”, devemos ter propósitos específicos para alcançar uma ação mais efetiva. A prática avaliativa não deve ser uma ação improvisada ou mesmo rotineira, pois o olhar do professor pode se perder em meio à dinâmica complexa e múltipla do cotidiano escolar. Ela precisa observar e registrar fatos ou aspectos que não são os mais significativos para as necessidades e interesses dos alunos. Portanto, a avaliação da aprendizagem é uma ação contínua de três tempos, cada um deles de forma intencional por parte do professor: 

Primeiro tempo: observação do aluno em tarefas ou atividades (ex: propor exercícios aos alunos com o material dourado em matemática e sentar junto aos grupos observando o que fazem, ouvindo o que dizem...). 

Segundo tempo: reflexão pedagógica (ex: registrar comentários e perguntas que alunos fizeram ao jogar, refletindo então: qual o significado do que se observou? Algum aluno ainda não compreendeu o que o material representa?).

Terceiro tempo: ação/mediação ( ex: replanejar, propondo novas atividades ao grupo ou em pequenos grupos, novos desafios direcionados especialmente aos alunos que mais precisam). 

Como aprofundamento ao tema, proponho as seguintes atividades:

1. Leia o texto referência 2: Relato de caso: tempo de admiração e não de reprovação. Após a leitura, reflita: como e por que a supervisora que cuidou dessa aluna procedeu em termos da avaliação? Explique, dando algum exemplo a partir do texto.

2. Responda: qual dos procedimentos é o mais difícil para você ao avaliar: observar os alunos um por um? Analisar e compreender as necessidades de cada aluno a partir das atividades feitas? Replanejar para ajudá-los a superar suas dificuldades e/ou avançar em uma determinada área de conhecimento? 

3. Para aprofundamento teórico nessa questão, complemente suas reflexões com a leitura do texto referência 1: “Avaliação mediadora: observação, reflexão e ação”

4. Por último e para enriquecimento da discussão, sugiro assistir ao vídeo “Sistema educacional, escola na Finlândia - uma nova visão na educação c/ Michael Moore” 

Aguardarei, então, por seus comentários e perguntas para darmos continuidade a nossas reflexões nesse grupo com a última atividade do Grupo de Estudos.

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Comentários

Professora, e quando escutamos um professor da educação infantil dizer que não registra nada,e no final do ano senta para escrever os diagnósticos das crianças com o que está armazenado em sua memória?
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Conversando com um grupo de professores ouvi o seguinte caso: Uma criança estudava o 3° ano numa escola pública, e a professora se preocupava muito porque a criança brincava o tempo todo e não aprendia nada. Nessa época, a mãe da criança frequentava à noite um projeto de alfabetização para jovens e adultos, e a criança fora do seu espaço, mantinha-se atencioso,não brincava e etc, e a criança de repente aprendeu a ler, fazer contas,enfim, desarnou e aconteceu o estalo da aprendizagem.
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Claudete, trazes uma questão delicada e um caso interessante (do aluno de 3º ano). No primeiro caso, temos a avaliação de caráter "burocrático". A professora escreve porque a escola exige. Ela pode ter feito inclusive um belo trabalho com suas crianças. Mas qual o problema? O texto que ela irá redigir perde o seu sentido ao ser um relato "para" os pais ou "para" a escola. Então, a pergunta é: por que registrar se não foi para ajudá-la a conhecer as crianças e a agir imediatamente ao longo do tempo? Se quiseres te aprofundar no assunto, ou ajudar professores que atuam dessa forma, sugiro a leitura do livro "Avaliação e Educação Infantil", de minha autoria, em que trato especificamente da questão dos relatórios de avaliação. Quanto ao caso a seguir, é muito interessante! Significa que as crianças aprendem de modo inusitado. Quem sabe a professora do EJA não foi mais desafiadora para essa criança do que a sua própria professora? Ou quem sabe, sua vivência nos dois contextos, ou também o fato de querer acompanhar sua mãe? Muito interessante pensar nos caminhos da aprendizagem e nos diferentes jeitos de uma criança vir a se alfabetizar. Seria interessante discutires esse caso com tuas colegas... Um abraço, Jussara
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Boa noite! Que material maravilhoso para gerar grandes e produtivas reflexões. No relato a supervisora adotou Laura em um momento especial. Apesar de tantos desafios que a estudante teria que superar, a “supervisora mimou Laura” e foi despertando desejos e uma força na menina que a fez superar seus desafios. De forma tranquila, valorizando seus saberes, a conhecendo mais de perto e planejando as ações para que Laura pudesse alçar voo. Esse relato trouxe-me a lembrança de várias Lauras que já passaram por mim e a reflexão de quantas eu mimei, ou será que mimei? O acompanhamento e a intervenção pedagógica no momento certo fazem toda a diferença na vida dos estudantes. Diante de tudo que foi colocado o procedimento mais difícil é o da observação porque é a partir dela que vou poder planejar, replanejar, ver as singularidades de cada aluno.
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Gracy, é isso mesmo! Considerações muito significativas as tuas. Que maravilha pensarmos que deixamos "marcas" positivas em nossos alunos, não é mesmo? É isso que dignifica a nossa profissão e faz tudo valer a pena. Acompanhei cerca de duzentos casos de alunos como a "Laura" e todos eles avançaram muito pelo fato de ter alguém que os retirasse do anonimato das salas de aula. Nem sempre as ações dos "cuidadores" foi a mais intensa ou adequada, mas o simples fato de os alunos saberem que alguém se preocupava com eles foi suficiente para que dessem um salto em todas as áreas de conhecimento. Não quero dizer com isso que basta o afeto para que aprendam. Não! Em todos os acompanhamentos houve a preocupação em ensinar aquilo que não haviam aprendido ainda. Principalmente implementar ações de escrita e leitura, como foi o caso da Laura. Até hoje guardo comigo o "diário" em que a Laura escrevia para se comunicar com a supervisora que a estava acompanhando. E o fato de ler e escrever melhor foi o que a levou a se sentir mais segura na escola e na vida! Conta para nós algum caso que tenhas vivido, um abraço, Jussara Hoffmann
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Prezados participantes, não deixem de assistir ao vídeo sugerido acima. Cliquem no título e você terão acesso a ele. É importante irem até o final, pois os alunos fazem depoimentos muito interessantes! Um abraço, Jussara Hoffmann.
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Professora, depois de 30 anos na educação; são tantos os casos, erros, acertos...que é impossível relatar tão amiúde.Li o material e assisti o vídeo da educação na Finlãndia. Parece que nossos governantes com as políticas públicas faz tudo ao contrário,exclui,desmotiva e etc Quando avaliar significa aprovar ou reprovar...Na educação infantil as crianças já levam atividades de casa, segundo os professores os pais querem...e eu como CP me pergunto?Quem são os profissionais???? Certa vez disse a uma avó que cuidava de uma criança que a criança ão precisava de aula de reforço,pois ela tinha seu tempo para aprender, pois segundo a avó não estava podendo pagar. A tia da criança veio à escola tomar satisfações do porquê de ter falado isso.Não adiantou as justificativas.
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Claudete, agiste corretamente ao dizer para a avó da criança que não se preocupasse "com aula de reforço", assumindo para ti, professora, o compromisso de ajudá-la, de ter paciência para que evoluísse. Também concordo com tua opinião sobre a tarefa de casa, mas no sentido de que, na maioria das vezes, é tarefa para mãe, pai ou responsáveis pela criança. As tarefas para casa devem ser de responsabilidade da criança, para isso elas devem ser adequadas às suas possibilidades. Se a criança não fizer ou trouxer o material solicitado, então é razão para a professora trabalhar com a criança nesse sentido, não para reclamar dos pais ou algo similar. Minha neta, de 4 anos, foi passar o final de semana conosco. Logo que entrou, me disse: preciso levar um enfeite para nossa árvore de Natal. Minha tendência foi dizer: vamos pensar no que fazer. Ela me disse logo: não, deixa comigo, vó. Apanhou a caixa de pinturas que tenho e em cinco minutos fez o seu enfeite. Do jeito dela e com o material que achou. A única coisa que pediu foi cola. E mais: quando foi embora, não esqueceu de levar o enfeite. Ela se lembrou dele e voltou para dentro de casa para apanhar - isso no dia seguinte. O enfeite é importante? Precisa ser "bonito"? Não, precisa ser feito por ela, por decisão dela, que é responsável por lembrar-se de levar para a escola. Essa foi uma tarefa de criança, não da família, cujos objetivos são muito mais amplos do que se imagina, não é verdade? Que bom que estás acompanhando as leituras. Um abraço, Jussara Hoffmann
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A história da Laura é muito bonita e emocionante. Uma aluna que estava sendo vista como um caso sem solução, teve alguém que não viu assim, acreditou nela e decidiu ajuda-la. E em tão poucos meses para o final do ano, o que para muitos podia ser impossível alcançar esta mudança. Mas essa supervisora conseguiu. Ela realizou primeiramente a observação, admirou a aluna, fez uma investigação sobre ela. Com esses dados refletiu e começou a tomar decisões (ação/mediação). A supervisora admirou e “mimou” a Laura. Ter alguém que acreditava nela e que decidiu ajudá-la fez com que Laura acreditasse em si também e viu que era possível superar seus desafios. Essa história da Laura mostra que não há aluno perdido, caso sem solução, que com admiração, aproximação com este aluno, com uma avaliação no sentido de refletir e ajudar o aluno no que ele precisa, pode sim promover grandes mudanças. Replanejar para ajudar os alunos a superar suas dificuldades e/ou avançar em uma determinada área de conhecimento acredito que é difícil, mas possível, e primeiramente é preciso fazer uma observação minuciosa sobre o aluno. Estamos vendo que avaliar na concepção mediadora traz muitos ganhos e grandes mudanças no trabalho em sala de aula. Sobre o vídeo do sistema educacional da Finlândia, é incrível de ver e muito interessante o que eles vão comentando. O ensino para eles não se reduz a aplicar provas, focar em resultados, eles querem que seus alunos aprendam e sejam felizes. E com isso eles conseguem ensinar tudo o que os alunos necessitam. Outra coisa que eles falam também sobre todas as escolas serem iguais, aqui no Brasil nossas escolas não são assim. Isso mostra que se preocupar mais com resultados, provas não promove um ensino melhor para nossos alunos.
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Excelentes considerações, Priscila! Senti tudo isso ao assistir esse vídeo. Por pensarem diferente em educação e avaliação, os finlandeses estão em primeiro lugar nos exames internacionais, como o PISA. O que mais me instigou foi os alunos do Ensino Médio, comparando as provas objetivas que fizeram nos EUA com as provas dissertativas na Finlândia. Um deles diz: como posso responder o que sei fazendo cruzinhas ou com questões de múltipla escolha (mais ou menos assim). Esse será o tema da Atividade 4 e você poderá ver que também os instrumentos de avaliação estão a serviço de determinadas concepções. Fazer provas e atribuir notas não é condizente com uma avaliação a serviço da melhor aprendizagem dos alunos, mas, sim, a serviço de uma concepção classificatória. Muito significativos os teus comentários, vamos em frente? Um abraço, Jussara Hoffmann
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Durante a leitura do texto proposto, vi em muitos momentos alguns alunos da minha sala de aula. Sou docente do Ensino Fundamental II, leciono a disciplina de matemática, tenho poucos encontros durante a semana com cada turma, embora uma de minhas alunas passa pelas mesmas situações. Minha aluna, teve um grave problema de saúde, a mesma teve câncer, onde foi necessário seu afastamento por um tempo, mas a maior parte do seu tratamento ela ia a escola, e por muitos dias a vi triste e calada. Acredito que os momentos mais complicados para ela foi quando ela precisou usar peruca e sempre enjoava e se sentia muito mal. A sala sempre a ajudou muito, sempre a trato sem nenhuma diferença, todavia seu rendimento escolar caiu bruscamente, ela não conseguia desenvolver ao mesmo ritmo da turma, e por muitas vezes ouvir professoras falarem: "Ela é burra!" "Todo mundo adoece, ela se faz de coitada". Esses comentários sempre me incomodaram... Mesmo meu contato sendo pouco com essa aluna durante a semana, mas tento ajudá-la no que é possível, sempre permito que ela trabalhe em grupo, sempre vou perto dela, pergunto se realmente ela está entendendo (por vergonha, às vezes ela só balança a cabeça). Mas acredito no potencial dessa linda aluna!
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Danilo, que depoimento bonito! Esta aluna, sem dúvida, precisa muito do teu apoio e nos dois sentidos: afetivo e intelectual. Podes ser um único professor, mas já fazes toda a diferença para ela. Que triste saber dos comentários dos outros professores. Paulo Freire fala sobre a necessidade de um olhar projectivo do educador: projetar-se em termos de sentir o que o outro pode estar sentindo, mesmo sem viver a mesma situação. Só educadores sensíveis são capazes de buscar compreender o que o outro vive, sente, conhece, aprende. Sem esse diálogo de pensamentos e sentimentos, não há educação e o avaliar se torna burocrático e punitivo. Os demais professores, provavelmente, receiam abrir-se ao sofrimento dessa menina, buscando outras causas para o seu desânimo e desinteresse. Dessa forma, talvez, não precisem se responsabilizar por essa situação "diferente". O diferente e o inusitado tendem a incomodar, pois nos exigem ações diferentes, envolvimento, sentimento - nem todos os professores estão preparados para lidar com isso. Conforme posso perceber já estás fazendo o que denomino de um "jogo do contrário" em avaliação, que consiste em tratar cada aluno em seu próprio contexto e situação, um por um, cuidando mais de quem precisa mais e por mais tempo! Se tiveres algum tempo, lê o livro "O Jogo do Contrário" de minha autoria. Ali irás encontrar outras histórias e comentários de fatos similares ao que estás vivendo. Gostaria de publicar o teu relato na página da Editora Mediação. Autorizas? Um abraço, Jussara Hoffmann
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Acredito que a primeira avaliação da supervisora foi realmente visual, observou os aspectos corporais da aluna e em seguida ela acrescentou a avaliação as observações que seus professores faziam dela, e nitidamente também era uma observação a distância, sem realmente conhecer a aluna. Acredito que a supervisora escolheu essa forma de avaliar por ser a forma que a comunidade escolar avaliava. O processo avaliativo em minha opinião não é algo fácil, muitos professores afirmam que avaliam constantemente, mas é bem complicado isso acontecer, para mim a parte mais difícil da avaliação são os registros, por que de fato a observação é o primeiro passo porém nossos registros muitas vezes não alcançam a realidade do aluno.
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Vivian, relê a história de Laura. A supervisora, ao contrário do que te pareceu na leitura, envolveu-se muito com ela. O texto é um resumo, mas o trabalho com a aluna foi de quatro meses intensivos, de cuidados diários com ela. A questão dos registros, que colocas, é muito pertinente. Tens toda razão, pois a observação, por si só, pode cair no vazio. Se vê e nada se faz. A observação em avaliação mediadora exige registros frequentes e continuados para que se tenha um acompanhamento verdadeiramente "evolutivo" das aprendizagens dos alunos. Muito boa essa sua consideração! O livro que irá melhor te ajudar na questão dos "registros" é "Avaliação e Educação Infantil: um olhar sensível e reflexivo sobre a criança". Veja em www.editoramediacao.com.br Um abraço, Jussara Hoffmann
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